terça-feira, abril 24

A burocratizacao do meu vício

Acho que nao é de desconhecimento de ninguém meu amor pelo CouchSurfing. Eu sempre me empolgo com as viagens nao pelo fato de estar indo à um lugar diferente, mas pela perspectiva de conhecer gente nova. E o CS é exatamente isso.

Como sou o que pode ser considerado uma "addicted", acabei planejando minha ida à Viena no último fim de semana baseada num CS Meeting. Afinal de contas, nada melhor do que encontrar vários couchsurfers de uma vez, certo? E assim fui eu, pela primeira vez sozinha, rumo à capital austríaca.

Nao é intensao minha fazer relato sobre a viagem nem sobre a cidade. Desta vez o assunto é exatamente a comunidade de CSers e a minha posicao nesse meio. Primeiramente, percebi que ainda sou difícil de falar abertamente, especialmente depois que perdi minhas habilidades no inglês. Segundo (e mais importante), estou um pouco decepcionada.

A idéia do CS (assim como do Hospitality Club) sempre me foi muito querida. Nao por poupar dinheiro (claro, isso também ajuda), mas principalmente por poder conversar com as pessoas, que geralmente sao realmente abertas, engracadas, espontâneas e de modo geral muito interessantes. Mas incrivelmente a coisa tem seguido o caminho weberiano (meu deus, nunca pensei que fosse falar sobre isso! Ainda mais depois de tanto tempo sem ler essas coisas!): parece algum tipo de piada, mas o que ficou absolutamente claro é que o CouchSurfing está se burocratizando!

Eu mal podia me conter ao ver o "respeito" que as pessoas demonstravam aos que tinham títulos de Ambassadors (City Ambassador, Country Ambassador... Até mesmo um Nomadic Ambassador). Tempo de associado, referências e títulos fazem alguém melhor ou pior host do que outros? O mais engracado, é que existem pessoas realmente "famosas" nesse meio. Eu ouvi discussoes sobre atitudes de pessoas que eles mesmos nunca tinham conhecido, ou, se tinham, nao por mais de um ou dois dias! Claro, isso nao quer dizer que pessoas "inexperientes" ou "novatas" sejam simplesmente ignoradas. Isso nao é verdade, eu fui muito bem recebida. Sempre. Mas é inegável que se torna cada vez mais difícil afirmar que essa comunidade formada por pessoas que simplesmente abrem sua casa ou que saem pra conhecer outras casas seja exatamente igualitária. Há um certo de tipo de separacao entre os ridiculamente chamados como pertencentes à "old school".

Bem, talvez isso tenha sido apenas um desabafo meu, frustrada depois de ter sido chamada de "super quiet" por uma das pessoas presentes. Mas eu ainda acredito e gosto da idéia, e por isso vou continuar tentando e investindo meu tempo nisso.

Aliás, todos sabem que eu sou uma fanática. Nao importa por quanto tempo, quando eu comeco a gostar de algo, a coisa vira definitivamente um vício. No momento o meu tem sido acessar ambos os sites e tentar promover a idéia assim que estiver de volta em casa. Entao: será que vocês podem se cadastrar? =P

segunda-feira, abril 23

Do dia 20 de abril de 2007

Embora os últimos posts tenham sido sempre de meditacoes profundas, eles têm batido sempre na mesma tecla. Olhando agora o que escrevi (e olha que estou escrevendo este texto no mesmo dia do post anterior - 20 de abril de 2007 - e só estou postando agora porque queria deixar um espaco entre um e outro) das últimas vezes, me veio o seguinte pensamento: eu estou me tornando uma pseudo-intelectual! Pior: DE NOVO! Eu nao acho que o que disse é chato, que nao é o que eu realmente penso. Mas é que é chato entrar num blog que só tem lamúrias e nao é nem um pouco divertido. Cadê as empolgacoes? Afinal de contas, a vida nao é feita somente de pensamentos complexos sobre sentimentos, emocoes, perguntas do tipo "o que sou? qual o sentido da vida?" e outras coisas do gênero. É por isso que agora decidi fazer um post completamente inútil (e eis que neste exato momento o telefone desta maldita casa toca. Duas vezes! A pessoa insiste, mas apesar de ser 15:01h, nao estou com vontade de conversar em alemao. Três vezes agora. Parou.).

Mas o que é um post inútil pra mim agora? Qual tema eu deveria abordar? É aí que eu paro. Simplesmente me descobri, olhando pra esse Bloco de Notas, que minha criatividade, meu senso de humor e meu lado Lorelai Gilmore de ser (isso foi um pouco pretensioso) simplesmente desapareceram! Eu nao sou mais capaz de fazer uma simples lista, de continuar construindo incansavelmente os Top 5 (inspirada em High Fidelity)! O que terá acontecido? (Hum, quase escrevo "O que terá acontecido à Baby Jane?". Dedos digitantes contidos à tempo.)

Estou neste exato momento pensando em todos os assuntos que poderiam ser abordados de forma cômica. O assunto na precisa necessariamente ser engracado, mas com o dom do humor negro tudo se tranforma. Enfim, acho que essa coisa tá ficanco complicada de entender.

Vou tentar, mais uma vez, criar meu "Caderno Alemanha". Acreditem ou nao, ele na verdade existe. Bem, existe de certa forma: fisicamente ele está lá, um caderno com anotacoes aleatórias (estudos de gramática, um projeto de diário, planos de viagens, cálculos de dinheiro, tabelas de horários de trens, avioes e ônibus) que vê uma caneta de vez em quando (os intervalos de tempo sao irregulares também). Eu tento, eu tento. Fico querendo fazer isso porque várias vezes penso em várias coisas e simplesmente depois nao consigo me lembrar em como cheguei àquela conclusao, quando chego à alguma. Nao consigo me lembrar como cheguei à conclusao de que nao há conclusao. (Seria essa última frase um plágio de Sócrates?)

Mas por que diabos citei o maldito caderno? Ah, sim, li o parágrafo acima...: temas para posts neste blog. A conclusao (que bom, cheguei a uma!) é que vou tentar escrever, mesmo em anotacoes rápidas e provavelmente ininteligíveis à olhos estranhos, todas as coisas que gerarem algum tipo de pensamento (coerente ou nao), qualquer coisa que, por um momento da minha vida, se torne um assunto discutido silenciosamente entre eu, eu mesma e Irene. Ops, nao! Isso é com o Jim Carrey! Somente entre eu e eu mesma, porque também nao posso pensar com meus botoes, já que nem todas as minhas roupas os têm.

E assim encerro.

sexta-feira, abril 20

Antes da tempestade

Este é o último dia da minha vida "normal". Digo isso porque há tempos (mais ou menos 2 meses) venho pensando sobre os próximos acontecimentos, e eis que chega o dia em que tudo comeca. Quem lê isso assim do nada até acha que uma nova era está sendo inaugurada, mas o ponto aqui é, mais uma vez, o tempo.

Os últimos quase dois meses, apesar de nao terem exatamente se arrastado, tampouco passaram naquela velocidade que me surpreendia na minha "Época de Ouro" por aqui. Na verdade, os planos eram escassos e longínquos (essa palavra me faz lembrar do meu pai contando as histórias diárias - e nunca repetidas - no caminho pra escola quando eu tinha 6 aninhos de idade...!), razao pra mim suficiente pra me ver afundada no cotidiano da vida banal dos outros. Preenchi esse tempo vendo filmes, séries (sim, era como se eu tivesse uma TV!) e acompanhando de perto (apesar da distância) tudo sobre a "minha" vida na terrinha que eu deixei.

No entanto, ainda haviam planos.

Viajar nao é somente uma obrigacao pelo fato de conhecer lugares com os quais sonhamos. Nao é pra ver monumentos mundialmente famosos. Nao é pra poder falar que já se foi lá. Pra mim, é uma questao de sobrevivência. Parece dramático, mas nao é. Bem, talvez seja, sim. Mas o fato é que viajar nao ocupa somente aquele espaco de tempo em que se está fisicamente no lugar: muito mais do que isso, se viaja antes mesmo de ter chegado e depois de ter retornado. Mas nada se compara à alegria de planejar. Nao que eu seja a favor de tracar cada passo a ser percorrido, nao, nao... Eu sou do tipo que gosta de andar pelas ruas da cidade sem compromisso e sentir a atmosfera, sentar numa praca pra ler ou ouvir música, subir em montanhas pra ter aquela vista linda (nada do traco típico de historiadora que eu deveria ter: museus absolutamente sao sem graca). O planejar que falo é apenas o pensar que em breve algo novo vai acontecer.

Esta noite pego meu trem pra Viena. Apenas dois dias na capital da música, na cidade do Danúbio Azul de Strauß, dos mestres Mozart e Beethoven, da dinastia dos Habsburgs, da Imperatriz Sissi (ou Romy Schneider?), dos bailes, dos jardins, da ópera. Ok, ok, eu admito que a essa altura do campeonato eu já li alguma coisa sobre a cidade. Bem, e afinal de contas minha Gastmutter é Vienense, nao tem como nao ouvir maravilhas sobre o lugar de vez em quando. Mas o ponto é que é a partir de hoje que o intervalo entre um acontecimento e outro na minha vida se tornam bem curtos.

Logo no comeco de maio já há outra "acao", desta vez bem longa (os 16 dias na Grécia, que estao me fazendo descabelar com a idéia de simplesmente ficar sem dinheiro no meio da viagem). Chegando junho há a clássica visita à Paris. E depois? Bem, depois falta um mês pra voltar pra casa! E isso porque ainda nao há mais coisas inteiramente certas, porque pode ser que uma ou duas viagens ainda sejam expremidas por aí. Passa rápido. Passa mais rápido quando se tem tanto a fazer, quando se está sempre pensando que daqui a pouco algo nunca ocorrido na vida vai acontecer.

Hoje é meu último dia normal. A partir daqui é tudo um furacao: um furacao que eu mal posso esperar pra ver...!

quarta-feira, abril 18

Sobre tudo e nada

Hoje é um daqueles dias estranhos: tudo e nada acontece, a cabeca gira com um incontável número de pensamentos e opinioes que mudam num milésimo de segundo, uma vontade de fazer todas as coisas do mundo, mas ao mesmo tempo de ficar quieta e desligar.

O tempo passa rápido e devagar...

Agora comeco a pensar neste ano, nessa vida totalmente diferente que eu escolhi viver durante 12 meses. Há momentos de incrível solidao, e eles nao sao raros. Há momentos em que inevitavelmente se pensa: "o que estou fazendo aqui?". Outros sao de recordacoes. Outros de raiva. Várias vezes sinto que nunca estive tao presa; em outros nunca tao livre. Tem hora que tudo o que se quer é encontrar alguns amigos pra conversar: umas vezes encontramos, outras nao. Em algum momento eu me pergunto como posso ser amiga de pessoas que conheco há tao pouco tempo... Mas o tempo é relativo, certo?

Estar num lugar diferente, com pessoas diferentes, significa basicamente uma coisa: você pode ser o que você quiser. Nao posso dizer que me soltei de tudo, que uma operacao mágica se realizou em mim e que, de repente, todas as barreiras que me impediam de ser verdadeiramente eu caíram. Isso seria mesmo impossível, afinal de contas, o "verdadeiro eu" é uma coisa desconhecida. Na verdade o que aconteceu é que, neste tempo todo, eu pude me entender melhor e, dessa forma, agir com mais conviccao, com mais firmeza e sem medo de dizer o que penso. Melhor: sem medo de mostrar que penso e despenso.

Claro, nao é o confinamento absoluto que faz isso. Conversar com pessoas dos mais variados lugares, culturas, idéias, classes... Nao é apenas a diversao de ver todos os dias alguém diferente, é a de se ver diferente também. Cada um traz um tema, é de um modo. E, ao falar com essas pessoas, automaticamente eu descubro mais alguma coisa sobre mim mesma, coisas sobre as quais talvez antes eu sequer tenha pensado.

Conclusao? Nenhuma.

domingo, janeiro 28

Quem diria... Eu e carpe diem

Eu nao sou uma pessoa apegada às promessas. Acho que isso deu pra perceber. Se nao, é só "rolar" a página mais pra baixo (ou clicar num arquivinho) e relembrar que eu tinha iludido à todos (inclusive a mim mesma) dizendo que iria passar a escrever constantemente as notícias dessa terrinha. Pois bem, como se nota, nao foi o que aconteceu. Desse modo, o título do post anterior pode ser aqui mais uma vez repetido, levando em consideracao que mais e mais coisas aconteceram e continuam a acontecer.

Nesse meio tempo amigos foram embora pro Brasil, alguns antes disso já nao eram tao amigos, outros ficaram cada vez mais próximos. Eu percebi que nao adianta forcar situacoes, tentar me convencer de que tudo vai continuar do jeito que é e me esforcar pra isso. Adoto agora a filosofia "let it be".

Mas indo ao porque de escrever agora: como eu já disse antes (garimpo no arquivo necessário!), só venho aqui quando nao tem nada pra fazer e quando estou disposta o suficiente para escrever sobre minha própria vida e/ou pensamentos, o que só ocorre quando nao estou exatamente bem. Nao, nao precisa de alarme, nao estou morrendo e minha vida aqui nao está horrível, mas é verdade que, em relacao aos últimos meses, deu uma, digamos, decaída de producao.

Viver no ritmo do planejamento de viagens sempre cria perspectivas, parece que há sempre o que fazer e, além disso, você sabe que nao estará no mesmo lugar daqui a pouco e que, no mínimo, quando voltar terá algumas aventurinhas pra se lembrar. Pois é. Acho que no intervalo de tempo entre a última postagem estiveram as viagens para a Itália (calma, nada de Roma! Me limitei à Florenca e Veneza) e a "mochilinha" maluca de fim/comeco de ano. Eu defitivamente acho que ambas merecem serem colocadas no papel, mas prefiro, particulamente, contá-las pessoalmente, ao vivo, com todas as onomatopéias, gritos e outros sons nao identificados que possam ser necessários produzir.
Apenas como preview: noite congelante no deserto do Saara!

Mas o fato é que de repente me deu alguma coisa estranha... Como um cansaco. Eu retiro tudo de carinhoso que possa ter dito sobre a família. Nao odeio eles, tenho uma vida relativamente boa aqui, sempre me tratam muito bem, tenho diversas vantagens, mas... Nao é minha casa, nem nunca será. E por mais que eu tente ficar totalmente à vontade aqui, nao tem jeito. Eles sempre serao uma família e eu a estrangeira, isso nao tem como tentar disfarcar. E nao consigo sentir afeto por ninguém. Eu penso em quando for embora, do que sentirei falta. Vou sentir a mudanca do meu estilo de vida aqui pro ritmo no Brasil, das coisas que eu tenho aqui (coisas bobas mesmo!), o que faco aqui, do dia-a-dia (nao que eu vá sentir falta, mas vai ser muito diferente), mas nao me vejo sentindo falta deles, como pessoas. Isso é estranho, afinal eu VIVO com eles, vejo todos os dias, passo o dia com eles, convivo mais do que convivia com a minha própria família quando estava em casa. Mas nao tenho um pingo de carinho. Eu tento, mas nao dá. Esse era um dos casos nos quais estava pensando quando escrevi sobre forcar situacoes: nao adianta. Eu também já percebi que, por mais que eu seja "a melhor aupair das três", eu sou só mais uma pra eles, um componente da casa que deve estar mais ou menos junto com a preocupacao do aspirador de pó, da lava-loucas ou da faxineira. Ou seja, eu sou só um complemento dos cuidados domésticos, mas nunca parte da família. Tudo bem, eu jamais poderia considerá-los parte da minha também (nao existe base de comparacao entre as duas. Se eu fosse olhar pra eles com meu conceito de família do Brasil, nem consideraria isso que eles têm aqui de família.), mas é inegável que tem certas horas que CANSA. Cansa nao voltar pra casa.

Sem depressoes, é claro. Pra continuar de pé e sobrevivendo com pelo menos uns risinhos falsos quando os meninos fazem algo supostamente "engracadinho" (pra mim nao tem nada de engracadinho), eu me concentro em fazer o que eu sempre fiz até agora: pensar no próximo destino (nunca à long prazo, que fique bem claro), nem que ele seja uma passeada pelo centro da cidade no fim de semana. Descobri o meu modo de aderir ao modo de vida "carpe diem".