sexta-feira, junho 22

Sono

Eu estou a ponto de cair no chao e dormir, numa cena bem The Sims. Nao consigo me lembrar da última vez que tive uma noite decente de sono e, ao contrário da minha boa vida de estudante que acorda às 6h, olha pro relógio e decide que vai perder o primeiro horário pra dormir mais cedo, aqui eu nao posso simplesmente me dar a opcao de simplesmente nao levantar e deixar os pirralhos sem café da manha. E nao é nem por preocupacao de que eles possam ir pra escola sem comer nada, mas porque eles batem na porta do meu quarto desesperadamente até que eu acorde, entao nao tem jeito mesmo.
Mas voltando ao motivo do post: . É, espaco em branco. Eu ia escrever alguma coisa, mas quando coloquei os dois pontinhos me dei conta de que simplesmente nao há nada! Acho que eu queria apenas me juntar ao coro daqueles que dizem: ESTOU COM FADIGA! Ai, tô mesmo. Esse sono do caramba nao me deixa fazer nada! Nao me deixa pensar, ler, ver tv, ouvir música... Tudo o que eu quero é deitar na cama sem horário pra levantar, sabendo que eu posso dormir até a hora que eu quiser.
Hunf, o moleque chegou.

segunda-feira, junho 18

A decepcao da minha sensibilidade

Neste exato momento nao estou nos meus melhores humores para escrever, mas mesmo assim tenho que fazer isso.

O texto absolutamente vai se mostrar algo no estilo da literatura romântica e arrebatadora da inglesa Jane Austen e as narrativas dos amores do início do século XIX, mas isso se deve meramente ao fato de eu ter acabado de ler "Sense and Sensibility" (ou "Razao e Sensibilidade"). A parte ruim da comparacao é, no entanto, me ver em situacao similar à de uma das personagens, Elinor Dashwood, a "razao" na história (embora nao tenha a dureza dela e me aproxime mais, no mostrar dos meus sentimentos ao estar com amigos e família, à sensibilidade de Marianne). Nao sei se eu algum dia serei a razao, nao sei nem se me encaixo num único adjetivo, mas tenho sido obrigada a agir da mesma maneira que ela frente aos acontecimentos.

Com que voz eu devo ter respondido, qual terá sido minha feicao, ao escutar da notícia de namoro? E ainda ter que me mostrar perfeitamente feliz e reconhecer que, pelo menos de uma parte, o sentimento é sincero (embora nao fiel - e isso eu ainda tenho que manter em segredo). O meu desconsolo é que, ao contrário da sociedade rígida na qual se passa o romance literário, que forca as pessoas à compromissos eternos, a atual nada tem disso, e quando se pensa numa ligacao entre duas pessoas, essa mais nada deve se dar a nao ser pela mútua afeicao. Ou seja, nao existem mal entendidos, obrigacoes, nada que justifique tudo de forma menos desesperancosa pra mim.

Mas por que? Por que uma pessoa, sabendo de tudo (pois com todas as conversas é impossível que ainda reste alguma dúvida), ainda insiste em alimentar as expectativas? O jeito de me tratar nao foi nada diferente? Entao tudo nao passava realmente de uma brincadeira? Mas que brincadeira cruel é essa? E por que dizer a cada um algo diverso? Talvez à mim tenha sido dirigida a mentira, numa forma de me consolar (embora nao abertamente, mas com aquele sentido de "ah, eu gostaria, mas é impossível!"). Ainda assim, é uma conduta inexplicável, imperdoável. Nao pedi por consolos, muito menos pelos incentivos que fizeram os primeiros necessários.

Sim, porque me foi despertada a sensibilidade, com disparar de coracao, ansiedade, dúvida e certeza, horas de pensamento, olhares perdidos no espaco, lembrancas felizes chamadas à memória. É, eu me descobri sensível.

E agora um dos piores sentimentos (sim, Lela, se juntando à dúvida): a decepcao.

quinta-feira, maio 31

Ops, fiz isso? Ui, que legal!

De volta. Finalmente.
Em um mês tantas coisas acontecem que relatórios sao impossíveis (embora o estilo diário nunca tenha sido o propósito deste blog - ok, foi no início, nao é mais). Mas mais difícil ainda é escolher um tema. Pela primeira vez tenho vários comentários a fazer, inúteis, é verdade, mas ainda assim comentários.
Entretanto, promordial é dizer: quem tem muito tempo, pensa demais. Claro que isso nao é a mínima novidade pra ninguém, mas eu só tinha que frisar isso, porque, resumidamente, foi o que aconteceu no último mês: viajar, estar sozinha, nao ter mais um computador... Fatores que induzem a atividade do cérebro.
Neste mundo de coisas comentáveis que eu tenho, acho que vou me reter à que tem me ocupado a maior parte da cabeca nos últimos dias (e que, coincidentemente, tem a ver com o último post): vergonha. Na verdade as situacoes que me levaram a escrever o post anterior sao bem diferentes do motivo atual, mas agora vejo que estao de certa maneira conectadas. Só que agora eu cheguei à uma outra conclusao: as pessoas gostam de fazer com que os outros se sintam envergonhados.
Meu fim de semana foi uma bagunca. Eu fiz coisas que certamente nao teria feito se estivesse sóbria, mas na verdade nao voltaria atrás. Porque eu me diverti, foi engracado, foi sonolento, foi uma zona, foi cansativo, foi tosco. Mas eu fui eu mesma. Fiz o que me deu vontade e pronto. Incrível é, no entanto, que as pessoas facam questao de usar tom de deboche, cinismo, "zuacao", quando falam sobre o assunto. Uma, duas vezes tudo bem. É brincadeira. Mas quando comeca a insistir na coisa nao dá. Isso me irrita.
Bom, mas como eu serei adepta do fodas e carpe diem, estou pronta pra mais uma rodada. Que venham as próximas bebidas, porres de cair e nao sei o que mais possível! Enquanto eu conseguir agüentar a ressaca do dia seguinte, EU NAO ESTOU NEM AZUL! (Ai, expressao da mamae!) E o título desse post será a minha frase padrao de pós-bebedeira.

sexta-feira, abril 27

"Always look on the bright side of life"

Sexta-feira (ou devo ser pedante e falar que é sabado?) à noite e, depois de um litro e meio de cerveja, todas as questoes da vida se tornam nao só mais fáceis de ser discutidas, como também mais claras. Ou nao. Há certas coisas que, nao importa o quanto sejam pensadas e repensadas, nunca terao exatamente uma solucao, um esclarecimento.

Sao assim os ditos "assuntos do coracao". Nada como algumas cervejas e horas no telefone com uma super amiga para despertar certos assuntos escondidos. Passando por memórias dos tempos de escola, Friends (embora eu ache que desta vez nós nao tenhamos chegado aos comentários sobre séries) e outras coisas de menos importância, eis que chegamos à parte afetiva da vida.

O álcool entorpece, isso é verdade. Nao só a boca fica extremamente articulada: o cérebro nao parece exatamente captar a distincao entre o que deve e nao deve ser dito. Tudo bem, as coisas ficam entre amigos. O difícil é saber que você finalmente admitiu pra você mesma certas coisas. De repente você percebe que se tornou exatamente a pessoa da qual sempre debochou. De repente você é um ser digno de pena. Ou alguém medíocre. Ok, ainda nao me considero medíocre, mas inegavelmente já reconheci que nao sou a mesma pessoa, aquela que leva o orgulho às ultimas conseqüências.

Lembramos de coisas passadas, nao há tanto tempo, é verdade, mas ainda ainda assim passadas. Terao aqueles momentos pertencido única e exclusivamente àquela época? Será aquele um tempo que nunca voltará? But, hey, "always look on the bright side of life"!

Eu tento seguir a filosofia do Monty Python, trilha sonora desta conversa. Se for assim, devo pensar que pelo menos mudei algo, que já nao sou tao orgulhosa à ponto de me declarar independente de qualquer pessoa ou sentimento. Mas eu olho para outro lado bom da vida: pelo menos eu passei por tudo isso.

Um filme bonitinho europeu

Sabe aquela sensacao de estar num filme?

Desta vez nao foi nada ruim, nada que parecesse um pesadelo, algo irreal do qual eu quisesse fugir. Apesar de ter acabado de passar por uma situacao nada agradável (a perda do passaporte ainda nao está totalmente resolvida: preciso de outro visto), de ter gasto 70 euros muito inesperadamente, de ter ido pela primeira vez na vida à Polícia (e ter que explicar toda a situacao em alemao, à autoridades alemas - e portanto nao exatamente pacientes e gentis), de ter corrido o dia inteiro na inseguranca de que tudo fosse em vao... Apesar disso tudo, caminhar pelas ruas e jardins de Munique num dia de semana normal, durante o dia e sob o sol da primavera, por um breve momento sentindo que eu nao tinha nada nem ninguém pra me controlar, foi, sem dúvida, uma cena digna de um final de filme.

Na verdade andar de um lado pro outro pela cidade foi até legal, passei por partes que nunca tinha visto antes. Comecei a gostar de Munique. Mas esse é também o efeito de se ver coisas novas, ou melhor, gente nova. Passando pelo Studentenviertel a atmosfera muda completamente. As ruas sao cheias de livrarias, a maioria pequenas lojinhas com livros usados colocados na calcada. Os estudantes passam, seja à pé, carregando mochila e com o ar despreocupado de quem sai de uma aula e vai correndo almocar, ou de bicicleta, seja a de estilo esportivo ou retrô (cestinha e meninas de saia e óculos, bem como os acessórios de crochê). Na frente de um dos prédios da Universidade vários grupos sentados ou deitados na grama... Outros entram no ônibus e preferem fazer a pausa no Englischer Garten.

Eu me lembrei de como é ser estudante. Nós só temos preocupacoes egoístas como notas, pegar primeiro o livro na biblioteca, descansar merecidamente após dois horários seguidos de aula. Ou salvar o mundo. Todos os dias rotineiramente vivemos coisas diferentes. Discutimos sobre o futuro. Tudo é nao só possível, mas altamente provável.

E na volta, caminhando até a casa, eu aproveitava esses momentos únicos de sensacao de infinita liberdade, com fones de ouvido que cantavam

"I love the sound of you walking away, you walking away
Why don't you walk away?..."

É ou nao é cena de filme?

Ao som de Franz Ferdinand - "Walk Away"