sexta-feira, fevereiro 8

A spoonful of sugar


Meu quarto é uma zona. Eu admito. Eu já perdi a conta de quantas vezes eu tirei tudo lugar e arrumei de novo, sempre tentando uma nova organização, mas o fato é: não dá.

Agora, quando eu vou tentar ajeitar as coisas aqui dentro pra parecer apresentável (pros outros, porque eu já estou conformada), nem tento fixar lugares corretos pra cada um dos objetos, afinal de contas eu sei que vou manuseá-los, que nem sempre vou poder guardar tudo de volta. Sempre pensei que fosse falta de organização minha (e em parte é), mas olha só que sacada de gênio me ocorreu hoje (durante mais uma das faxinas) pra explicar a situação: eu sou (futura-)historiadora!

Vou explicar: minha vida gira em torno de livros. Note que o substantivo está no plural, o que significa que mais de um livro é lido simultaneamente. Aí lê um xerox, volta pro livro, recorre àquela referência, pausa pra um quadrinho, hora de estudar outra matéria, leitura complementar, literatura pra relaxar... Não tem fim! Isso sem contar que o meu quarto parece ter se tornado a biblioteca oficial da casa (mamãe gritando: "Olivia! Guarda esse livro aí!" *exemplar de "O Pequeno Príncipe" sendo atirado dormitório adentro*).

É por essas e por outras (minha preguiça, claro) que eu peço a juda da Mary Poppins. Não é tudo poder usar mágica pra arrumar todas as tranqueiras???

quarta-feira, fevereiro 6

Mamma Mia

Hoje, na falta de qualquer inspiração para posts que contenham algum assunto merecedor de leitura, vou facilitar a vida do internauta (sentiu a linguagem de programa interativo da Globo no ar?) e apenas falarei por imagens.



O mundo seria melhor só com vocês, darlings!

sexta-feira, fevereiro 1

Not a girl, not yet a woman

Não, este post não é uma reclamação das incertezas das pessoas (principalmente mulheres - ou garotas?) da minha idade. Embora o assunto rendesse 75623948852 posts, estou citando Britney Spears (quando eu achei, na minha vida inteira, que iria citá-la?) para ilustrar a situação atual da cidade na qual vivo: Belo Horizonte.

Cidade grande, a terceira maior do Brasil, capitar e, segundo as palavras de muitos belorizontinos, uma "roça grande".

Estava eu andando pela Av. do Contorno outro dia e me deparo com um sex shop megastore. É, era mega mesmo. Tudo bem, afinal de contas é mais do que normal encontrar sex shops por aí. Tem "stand de artigos eróticos" até em feiras de artesanato! Ok, eu não estava abalada. Ainda. Eis que me viro e, ao contemplar o outro lado da avenida, o que é que eu vejo? Uma igreja. Olha, se fosse uma igreja católica eu até tentaria descobrir os horários das missas pra ficar esperando na porta e ver as reações das velhinhas beatas. O tal templo sagrado de Deus (tem que ser com maiúscula, né?), no entanto, era mais algum da franquia do Edir Macedo.

Então das duas uma: ou é jogada de marketing do tal "bispo" (vendas casadas: compre um lugar no céu e leve de graça uma algema de pelúcia) ou BH está realmente aprendendo a conviver com as contradições de uma cidade grande. Embora a primeira possibilidade não possa ser prontamente descartada (afinal, nunca se sabe o que a divina providência irá nos trazer, ainda mais quando tudo o que é divino tem parceria com o Edir Macedo), eu ainda acho que Beagá está nessa fase de não saber o que é. É uma adolescente em crise. Ou uma jovem de vinte e poucos anos.

*Ao som de Silbermond - Du und ich

sábado, janeiro 26

Perdendo o juízo (a.k.a. arrancando os Sisos) - Parte 2

Voltando à história... Quero dizer, antes gostaria de corrigir o erro do post anterior. De acordo com a Wikipedia (e, provavelmente, com muita gente mais letrada do que eu), a grafia correta do osso maldito que brota (ou não) no finalzinho da nossa arcada dentária não é, como escrevi, "ciso", e sim "siso". Como se eles já não me dessem trabalho demais...

Ok, voltando à história de terror: após passar pelo corredor de horrores, chega-se à sua própria "cabine", onde seu dentista (a.k.a. torturador profissional com diploma e tudo o mais) aguarda. É aí que tudo começa de verdade. Você está lá, sentada/deitada, totalmente vulnerável, com a boca aberta e um canudo chato sugando saliva (eca), completamente exposta e indefesa. A situação já é trágica por si própria, já é o bastante ter uma pessoa te vendo nesse estado. Mas quando você pensa que nada pode ser pior, eis que os desígnios divinos mais uma vez se mostram incompreensíveis e dignos de umas reclamações das feias: ouve-se a dentista (a.k.a. torturador profissional com diploma e tudo o mais) proferir a seguinte frase: "Nossa, tem um dente a mais aqui!". (Tudo bem, eu já sabia deste fato antes, mas estou tentando colocar um pouco mais de drama.) De repente TODO o consultório está ali, olhando pras minhas radiografias e pra minha boca, tentando analisar o que diabos é aquilo e como se resolve o maldito problema. E enquanto isso eu estou lá, naquela mesma posição nada nobre e de boca escancarada pra quem quisesse ver (e, incrivelmente, muitos quiseram ver. Acho que sou a nova freak celebrity do consultório.).

Finalmente começa-se o trabalho. É hora da carnificina. Incrivelmente, também é a hora mais tranqüila pro paciente (a.k.a. vítima estúpida que paga para sofrer): sedada, sem sentir metade do rosto, você simplesmente observa os esforços colossais, a luta literalmente sangrenta travada entre a pessoinha de branco e o forte e vigoroso dente. Tem hora que dá até vontade de torcer pro siso e gritar pro dentista (a.k.a. torturador profissional com diploma e tudo o mais): "Toma essa, sucker!". Após alguns momentos, no entanto, a atenção é totalmente desviada. A luta livre travada ali do lado é esquecida e de repente você se pega viajando, olhando pro teto e pensando em um mundo de coisas: no próximo episódio de House, no livro que tá guardado na bolsa e que você poderia estar lendo agora (caso o sangue não espirrasse e manchasse as páginas), no pseudo-doutor (a.k.a. dentista) da divisão do lado (e, com metade do cérebro anestesiado, você pensa até em criar uma situação pra conversar com ele depois que terminar seu Cine Trash)...

Até você sair de cima da cadeira/maca não dá pra ter muita noção do seu estado. Você só sabe que perdeu mais sangue do que numa menstruação, que tem costuras nas gengivas e controle apenas parcial da sua língua. Fora isso, tudo em cima! "Tudo em cima" my ass. Você sai pra sala de espera bem feliz da vida por ter acabado (embora triste por não ter conseguido ver o carinha bonitinho de novo) e pronta pra marcar a próxima consulta, quando nota que todos os olhares foram desviados do Vale a Pena Ver de Novo e estão mega concentrados em nada mais nada menos que... Você! "Tome muito sorvete", "Coloca gelo", "Fique em repouso ab-so-lu-to!" e outras frases afins invadem seus ouvidos.

Após dar a devida atenção a todos os bons velhinhos (provavelmente todos com dentadura) que me passavam seus conselhos, lá fui eu de volta pra casa. De ÔNIBUS. O que significou mais uma andadinha pelo Centro até chegar no ponto e mais umas chacoalhadas até chegar em casa.

A recompensa? O que o fim do dia reservava de bom pra mim? Mamãe chegando e dizendo: "Fique bem, minha filha. Vou te ligar todos os dias de Balneário, tá? Beijosteamotchau!".

Então tá, né?

*Ao som de Camille - Paris

sábado, janeiro 19

Perdendo o juízo (a.k.a. arrancando os cisos) - Parte 1

A vida é cheia de rituais de passagem: de dentro da barriga da mamãe pra fora da barriga da mamãe, primeiros passinhos, primeiros dentinhos, primeira vez que se pergunta "como se fazem os bebês", primeira vez que se entende o significado da resposta "você vai saber quando crescer", escutar a frase "você já é uma mocinha!", formaturas, vestibular, vícios... e cisos.

Chegada à clínica odontológica. "Oi, boa tarde. Tenho consulta às 14:40. Extração. Três." Já vem aquele olhar de piedade da recepcionista, mas como ela está acostumada a pensar que sabe disfarçar, simplesmente manda sentar e aguardar. E eu aguardei. Pacientemente eu aguardei durante uma hora e meia! Aparentemente o paciente anterior tinha sofrido de uma queda de pressão e tinha que ficar deitado (só nessas situações mesmo pra alguém resolver ficar estirado naquela cadeira mais tempo do que o necessário).

Após assistir Vídeo Show e folhear 7 revistas, eis que escuto o meu nome sendo chamado. E lá vou eu, adentrando consultório. Aquela clínica é mesmo bizarra: são várias divisões, cada uma com seu dentista (a.k.a. torturador profissional com diploma e tudo o mais) e paciente (a.k.a. vítima estúpida que paga para sofrer) e, o pior, não há portas. Isso mesmo, você passa por um corredor de horrores, sem direito a venda nos olhos.

Como estou com preguiça de continuar com o post, encerro aqui sem mais delongas e deixo a conclusão para outro dia.

Passar bem.

*Ao som de Rod Stewart - Sailing