quinta-feira, janeiro 10

Nós somos descartáveis?

Parece que a vida inteira é a busca por um algo ou alguém (principalmente um alguém, especialmente para mulheres) que dependa da gente: que nos considere insubstituíveis. E não, não vale a nossa mãe.

Bem, até agora nada de novo. Mas será que nós não nos subtituímos toda hora? Eu olho pra mim mesma e vejo um exemplo disso (e olha que eu sou até comedida nas minhas mudanças!): já gostei de axé, já fui freqüentadora de igreja, já fiz meu salto de garotinha que gosta de Backstreet Boys pra garotinha aborrescente de estilo gótico, já fui da esquerda pra... Ih, acho que isso eu não defini. Isso deve ter acarretado uma série de mudanças em mim mesma que eu não percebo, tais como jeito de vestir, falar e, mais importante, o que falar.

Foi então que eu me lembrei que eu tinha um blog. E não estou falando deste, mas de outro. Aliás, outros, porque, se não me engano, foram uns 3 ao todo. E flashes de milésimos de segundo depois eu já tinha me lembrado de uma outra coisa: eu apaguei eles. É: no momento em que percebi que aquelas coisas já tinham se transformado em mim e que aquilo não era nem de longe o que eu pensava (ou que simplesmente porque me cansei de ter um blog), eu fiz uso da ferramenta mais moderna, prática e inofensiva já criada pelo homem: delete. Seja em forma de botão ou tecla.

Se fez alguma diferença para o mundo o fato de eu não estar mais por aí, publicando minhas asneiras pra quem quisesse ou tivesse a condecendência de ler só pra deixar um comentário amigo? O lado romântico da minha mente gosta de fantasiar que um super homem com todas as características imprescindíveis (muito humildemente eu só peço que seja engraçado e inteligente) era leitor assíduo e ficou arrasado quando parou de ter notícias minhas. Minha parte "Alo-ow! Desce das nuvens!" tem uma resposta mais simples: não.

Hipoteticamente considerando que a segunda alternativa seja a verdadeira (o lado romântico é insistente) não posso deixar de pensar que tudo o que eu era naquela época simplesmente foi descartável: afinal de contas, pra onde foi? Lixo eletrônico, sem tempo de decomposição.

Resolvi então fazer um breve retrospecto/reflexão. Meu cd dos Backstreet Boys foi tocado recentemente numa festinha que incluiu coreografia; minhas roupas de gótica já foram há tempos doadas (tirando uma blusa estilo femme fatale que eu jurei usar mais uma vez); e descobri que, segundo Churchill, "quem não foi comunista até os vinte anos, não tem coração" (só completando a citação, o poderoso estadista conclui: "quem continua sendo depois dos quarenta, não tem bom senso". Era o Churchill, o que você esperava?). Até que não foi de todo perdido, não é?

Olhando desse modo, acho que somos recicláveis.

*Ao som de Simon and Garfunkel

2 comentários:

lévia da yakusa disse...

Engraçado e inteligente é algo imprescindível!.....e não somos descartáveis não, apenas mudamos...e muito!


Axé? essa eu não sabia! (quando li fiz a mesma careta diante da notícia a respeito da Disney)


bjo mulher!

Daniel disse...

Muito bem escrito.
Bem legal mesmo!

Bjs!