domingo, agosto 10

É só entrar no clima

Eu sempre gostei dos Jogos Olímpicos. Aliás, devo confessar que tenho uma queda por grandes acontecimentos esportivos. Copa do Mundo é a mesma coisa. Mas uma coisa que a Copa do Mundo não tem, como sabemos, é variedade - característica principal das Olimpíadas. E justamente por isso, pelo sem número de modalidades e pelos vários acontecimentos simultâneos com uma platéia muito heterogênea, também temos durante as Olimpíadas as situações mais... digamos... incomuns.

Se eu já não tivesse hábitos de coruja, poderia citar as madrugadas acordada na frente da TV como uma das mudanças provocadas pelo jogos. Tudo bem, ir dormir tarde pode nao ser exatamente o problema, mas a gente começa a duvidar um pouco do próprio estado de espírito quando, depois de ter ido dormir às 3h da manhã, ainda acordamos, num domingo, às 9h para assistir a uma competição de ginástica artística. No entanto, pior do que a troca de horários, são os esportes que eu me proponho a assistir. Tiro, hipismo... Ah, as Olimpíadas! Só de quatro em quatro anos é que pode se ver este ser que vos escreve, no meio da madrugada, assistir torcendo loucamente a uma luta de judô entre Uzbequistão e República Tcheca. Considero esse o meu ápice.

Mas as surpresas nem sempre estão só do lado do público. Ah, não...! Os chineses têm suas cartas na manga e não hesitaram em surpreender-nos. Eis que, ecoando durante a transmissão de provas da natação, escuta-se bem claramente um Ilariê tocando por lá. Eu sabia que a Xuxa era conhecida pela América Latina, mas dessa vez ela se superou. E, como se não bastasse essa ressurreição, o DJ da arena do vôlei de praia supera até bloco-de-carnaval-falido-que-só-canta-coisa-velha e, de repente, a gente lembra a letra da música e canta junto:

"Nada mal, curtir o TERRASAMBA
não é nada maaaaalll!
Que legal! É só entrar no clima
e liberaaaaaar geraaall!"

Demos graças ao senhor porque a gente tá no clima do discurso de paz dos Jogos Olímpicos.

segunda-feira, julho 28

Renasceu e quer usar o vaso

Depois de quase dois meses sem postar nem um ponto final por aqui, eis o retorno. Eu chego a pensar que deixo esse tempo todo sem atualizar só pelo prazer da volta, do renascimento das cinzas como uma fênix! (Sim, eu tenho complexo com essa coisa de fênix renascendo...)

E por falar em renascer, o sonho que eu tive esta noite (ou manhã, ou tarde... vai saber. Fato é que fui dormir só às 5h da manhã.) está diretamente conectado com isso. Pasmem ou não, eu, senhora não acredito em reencarnações ou nada de sobrenatural (pelo menos é o que eu acho agora, mas posso mudar de opinião em 3 segundos. 1...2...3... Não, ainda não acredito.), sonhei que meu querido irmão, agora na flor de seus 13 anos de idade, tinha renascido. É isso mesmo. Lá estava ele, bebê mesmo, horroroso, recém-nascido... e falando. Não só ele tinha reencarnado em si próprio, como ele se lembrava de tudo! Só não tinha coordenação motora, então eu precisava ficar segunrando ele, principalmente a cabeça (molenga de neném, né), pra que ele pudesse conversar comigo olhando pra mim. O pior de tudo, no entanto, foi a exigência dele em fazer suas necessidades no vaso. De nada adiantava dizer que ele era um bebê e que não dava pra sentar no vaso, e que justamente pra isso ele estava provido de fraldas. Ah, não...! Pelo menos um terço do sonho foi esse dilema: seria ele capaz de usar o vaso? Não me lembro como terminou essa saga no mínimo incomum. Aliás, ela terminou quando eu acordei, dando graças aos deuses por isso tudo ter sido apenas mais um dos meus sonhos bizarros.

Acho que isso é, mais uma vez, conseqüência do meu ócio e imaginação hiper-ativa.

domingo, junho 8

The Broadway Melody

Nos últimos dias fui acometida por uma febre de musicais. Claro, eu sempre gostei de filmes cantados (talvez um modesto modo de "crescer", passando dos desenhos animados para pessoas de verdade), mas não sei porque me deu essa coisa de sair procurando vídeos e trilhas de 857209759235 musicais disponíveis.

Um, em particular, eu sempre pensei que fosse ruim. O Rei Leão nunca me pareceu algo que devesse ser adaptado para uma atuação com pessoas. A imagem sempre me vinha à cabeça como algo bem tosco, a bem da verdade. Até que eu me deparei com este vídeo:



E, chorona como sou, já vieram as lágrimas.

*Ao som de The Lion King - Circle Of Life

quinta-feira, maio 29

Cute-meet over

Embora eu seja uma defensora/usuária ferrenha/assídua das ferramentas móveis de áudio (mp3, mp4, celulares e cartões natalinos musicais), devo admitir que eles têm sido responsáveis pela situação agonizante do meu sonho (e, creio eu, sonho de muitas mulheres espalhadas por aí e que têm um mínimo de imaginação à la personagens dos livros de Helen Fielding, criadora da nossa adorada salve!salve! Bridget Jones): conversas espontâneas e inesperadas com estranhos que se tornarão seu grande amor perfeito.

Dei-me conta disso outro dia no ônibus (este espaço que me proporciona tantas experiências e é responsável por quase tudo que é cuspido aqui no blog - além de outros pensamentos não lineares e inconcisos que acabam não sendo publicados). Estava eu, mais uma vez munida de fones de ouvido, chacoalhando caminho afora, quando noto que o ser do meu lado era até simpático. Uma coisa em comum eu já sabia que tínhamos: estudávamos no mesmo campus. Idades compatíveis (pelo menos aparentemente), possivelmente moradias próximas (já que ele se encontrava em pé, quer dizer que ele entrou no veículo quando já não havia mais assentos)... A imaginação já começa a trabalhar, cedo.

Ele está olhando pra esse lado, dá pra ver pelo canto do olho. Ora, mas se quer conversar que fale primeiro, né? Vou continuar olhando a paisagem lá fora. Todo mundo indo trabalhar, pra aula... Credo, que carro abarrotado de crianças! Aff, odeio pirralho que fica fazendo careta pro pessoal sofredor do ônibus. Maldito me paga, um dia eu ainda desço, vou lá e... Concentração no bibelô aqui do lado! E esse motorista ouvindo essa rádio bizarra, hein? Hahaha! Até que essa foi engraçada! Peraí: ele também riu? Riu? Gente, só eu e ele no ônibus inteiro? Vou olhar. (...) Que gracinha. Ele vai falar alguma coisa...!

E aí ele faz uma pergunta e está lançado o pretexto. Simples assim, viu? Agora, com fones de ouvido (no último volume, porque é assim que eu escuto), fica difícil até pra mente feminina criar uma situação verossímil (dentro dos padrões do mundo feminino, claro).

Ele está olhando pra esse lado, dá pra ver pelo canto do olho. Ora, mas se quer conversar que fale primeiro, né? Vou continuar olhando a paisagem lá fora. Todo mundo indo trabalhar, pra aula... Credo, que carro abarrotado de crianças! Aff, odeio pirralho que fica fazendo careta pro pessoal sofredor do ônibus. Maldito me paga, um dia eu ainda desço, vou lá e... Concentração no bibelô aqui do lado! ... Ih, ele é meio bobo alegre, hein? Rindo por aí. Ops, ele viu que eu olhei pra ele! Tá abrindo a boca, vai falar alguma coisa... Detectou fios saindo/entrando das/nas minhas orelhas! Droga, a menina do outro lado faturou. Mocréia.

VIU?!?!?!

*Ao som das invenções do meu cérebro

terça-feira, maio 27

Cada um tem uma qualidade diferente

Tudo bem. Se a gente entender "qualidade" no sentido de "característica", eu até concordo. Mas se passarmos a pensar como "talento", aí a coisa muda de figura.

Estava eu hoje pensando com meus botões, enquanto voltava pra casa num mini-ônibus apertado, mal podendo mexer as pernas e com os braços grudados no corpo: por que eu tenho que passar por essas? (Estou me referindo à extrema penúria financeira* - que nos últimos tempos tem me assombrado mais do que nunca - e, conseqüentemente, ser obrigada a utilizar os meios de transpote públicos logo depois de pensar que não vou poder aceitar o convite de uma saída na quinta-feira.) Passei então pelo confortante pensamento de que, no dia em que souber qual é a minha qualidade principal, no dia em que souber canalizar tudo o que eu sei pra fazer algo no qual me destacaria simplesmente porque so boa naquilo, eu seria finalmente uma pessoa realizada e, se não fosse lá tão bem financeiramente, pelo menos não ligaria de ganhar pouco se gostasse da atividade.

Mas existe tal coisa? Quero dizer: existe mesmo isso de que cada um tem um talento específico? Ultimamente tenho me sentido inclinada a pensar que isso não passa de mais uma farsa dos psicólogos. E nessa entra o mundo empresarial todo. Pense como é fácil dispensar um candidato a uma vaga usando a fórmula "você é super-qualificado para esta posição"?! Ou mesmo à pobre coitada da eterna secretária, que se sente satisfeita por saber que está cumprindo a missão confiada à ela por Deus-Pai-nosso-todo-Poderoso: ela nasceu pra atender telefones, organizar a agenda do chefe e preencher formulários! É nisso que ela é boa!

Resta-me, então, encontrar a função feita especialmente para mim. Já até imagino a chamada. Vai me chegar por email (pode ser um do vagas.com, Catho ou Lojas Americanas):

Procura-se Viajante
A revista Viagem, em parceria com o canal
VH1, oferece posição para estudantes de
História com previsão de formatura
indeterminada, que saibam falar 4 idiomas,
já tenham morado no exterior, escutem
mais música por dia do que uma pessoa
normal e tenham como mais novo vício
o jogo Guitar Hero. A tarefa será apresentar
um programa para a VH1 Internacional
entrevistando personalidades do
mundo da música de todo o planeta,
enquanto escreve artigos a serem
publicados mensalmente na revista Viagem
sobre turismo off-route.

Favor encaminhar emails contendo a descrição acima ou semelhante.

*Ao som de Coldplay - Viva La Vida